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O que significa ser jovem e português fora de Portugal? A resposta passa pela Covilhã

12 de outubro de 2026 · Ana Teixeira e Miguel Ângelo
O que significa ser jovem e português fora de Portugal? A resposta passa pela Covilhã

Entre 1 e 9 de agosto, a Covilhã recebe jovens de sete países para o Encontro Europeu de Jovens Lusos, numa reflexão sobre o que significa ser jovem português fora de Portugal.

Há mais de meio milhão de pessoas em França que possuem nacionalidade portuguesa. Portugal é hoje o segundo país de origem mais representado entre a população estrangeira em território francês, apenas atrás da Argélia.

À primeira vista, estes números podem parecer distantes da realidade da Covilhã. No entanto, entre 1 e 9 de agosto, vão ganhar um significado muito concreto na cidade, quando dezenas de jovens se reunirem para refletir sobre o que significa ser português quando se nasceu, cresceu ou vive fora de Portugal.

Uma comunidade que continua a reinventar-se

A emigração portuguesa para França ganhou força durante a década de 1960, levando centenas de milhares de portugueses a procurar trabalho e melhores condições de vida no país vizinho.

Os filhos e netos dessa geração, hoje conhecidos como lusodescendentes, cresceram entre duas línguas, duas culturas e duas formas de pertença.

Muitos nasceram em cidades como Paris, Lyon ou Estrasburgo. Não são emigrantes no sentido tradicional da palavra, mas também não se identificam apenas como franceses. Cresceram a ouvir português em casa, a passar férias nas aldeias portuguesas e a manter uma ligação afetiva a um país onde, em muitos casos, nunca viveram de forma permanente.

Segundo os dados mais recentes do Observatório da Emigração, esta relação continua bem viva. Só em 2023, mais de 7.400 portugueses emigraram para França. Ao mesmo tempo, as novas gerações continuam a procurar formas de preservar e reinterpretar a sua identidade portuguesa.

Ser jovem lusodescendente é uma pergunta em aberto

É precisamente essa questão que a Cap Magellan procura responder há mais de três décadas.

Fundada em Paris, em 1991, a associação tornou-se a maior organização de jovens lusodescendentes, lusófonos e lusófilos em França, reunindo uma rede com mais de 30 mil contactos diretos.

Mais do que preservar memórias da emigração, a Cap Magellan promove projetos ligados ao emprego, à cidadania, à língua portuguesa, à cultura e à participação cívica de uma geração que herdou a história da emigração, mas que constrói hoje a sua própria forma de viver essa identidade.

Para muitos destes jovens, a ligação a Portugal não acontece de forma automática. É construída ao longo dos anos.

Passa pelas férias de verão, pelas aulas de português, pelas bandas filarmónicas da diáspora, pelas associações culturais e pelos encontros entre comunidades espalhadas pela Europa. E passa, cada vez mais, por iniciativas como o Encontro Europeu de Jovens Lusos, que este ano escolheu a Covilhã para a sua 13.ª edição.

Porque é que a resposta passa pela Covilhã

Entre 1 e 9 de agosto, a cidade recebe jovens de Portugal, França, Alemanha, Bélgica, Dinamarca, Luxemburgo e Suécia para uma semana de formações, oficinas artísticas e atividades dedicadas à inclusão, sob o tema "Tecer a Inclusão: Identidades & Arte".

O próprio tema resume o espírito do encontro. Tal como uma teia é construída por vários fios, também estes jovens constroem diariamente a sua identidade entre diferentes países, línguas e referências culturais.

Ao acolher esta iniciativa, a Covilhã torna-se palco de uma reflexão que raramente chega ao Interior com esta dimensão: o que significa pertencer a um país que, para muitos, é conhecido sobretudo através das férias, das histórias dos avós e das tradições familiares?

É também uma oportunidade para a cidade receber jovens que transportam Portugal para além das fronteiras e criar novas ligações entre a comunidade local e a diáspora.

Durante uma semana, essa reflexão vai acontecer nas ruas da Covilhã, na Universidade da Beira Interior, nos ateliers e nas conversas entre participantes e habitantes.

A resposta não será única nem definitiva. Será construída coletivamente, tal como o tema do encontro sugere: uma teia que continua a ser tecida, geração após geração, e que este ano passa também pela Covilhã.

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