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Exames nacionais envolvidos em polémica

26 de setembro de 2026 · Ana Teixeira
Exames nacionais envolvidos em polémica

Falhas informáticas e controvérsia no exame de Português geram pedidos de anulação

A época de exames nacionais do ensino secundário está marcada por uma das maiores polémicas dos últimos anos. Falhas na implementação do novo sistema de correção digital, problemas na digitalização das provas e uma controvérsia em torno do exame nacional de Português levaram alunos, pais e professores a contestar o processo de avaliação.

Este ano, o processo de classificação dos exames sofreu uma alteração significativa. Apesar de os alunos continuarem a realizar as provas em papel, a correção passou a ser feita através da plataforma digital EduQA, para onde todos os exames teriam de ser digitalizados antes de serem avaliados pelos professores.

A transição revelou-se problemática. Durante vários dias, a plataforma registou falhas técnicas, bloqueios e períodos de indisponibilidade, impedindo os classificadores de aceder às provas e de lançar as respetivas classificações. A estes problemas juntaram-se erros na digitalização dos exames, com relatos de páginas cortadas, folhas trocadas e imagens incompletas, dificultando a leitura e a correção rigorosa das respostas.

Entre os episódios mais insólitos esteve a convocatória automática de uma professora já falecida para integrar a equipa de classificação do exame de Física e Química A, situação atribuída a falhas na base de dados do sistema.

Perante os constrangimentos, o Ministério da Educação adiou a divulgação das classificações da primeira fase dos exames para 17 de julho. O atraso obrigou também ao reajustamento do calendário da segunda fase. O Governo reconheceu a existência de problemas informáticos, mas garante que a plataforma foi estabilizada e assegura que nenhum aluno será prejudicado.

A polémica estendeu-se ao exame nacional de Português. Uma das questões da prova solicitava aos alunos um comentário crítico sobre um cartoon relacionado com o trabalho infantil. Pouco depois da realização do exame, verificou-se que a mesma imagem constava de um conhecido livro de preparação para exames publicado este ano, utilizado por muitos estudantes durante o estudo. A coincidência levantou dúvidas sobre a igualdade de oportunidades entre os candidatos, uma vez que alguns alunos tiveram contacto prévio com o material utilizado na prova oficial. O Ministério da Educação reconheceu a existência da situação e solicitou uma inspeção ao processo de elaboração do exame para apurar responsabilidades.

Face à sucessão de problemas, associações de pais, encarregados de educação e estudantes promoveram petições públicas que defendem a anulação dos exames nacionais deste ano. Os promotores consideram que as falhas técnicas e logísticas comprometem a credibilidade do processo de avaliação, argumentando que os erros de digitalização e a pressão acrescida sobre os professores, obrigados a corrigir milhares de provas em prazos reduzidos, dificultam a garantia de classificações rigorosas e equitativas. Outro dos principais argumentos prende-se com o impacto destas classificações no acesso ao ensino superior: como as notas dos exames nacionais influenciam a média de candidatura às universidades e institutos politécnicos, os peticionários alertam que qualquer erro poderá comprometer o futuro académico de milhares de estudantes. As petições defendem que, sendo os problemas resultado de falhas do próprio Estado, os alunos não devem ser prejudicados, propondo alternativas como a utilização das classificações internas atribuídas pelas escolas.

Apesar da contestação, o Ministério da Educação rejeita, para já, qualquer hipótese de anular os exames nacionais, sustentando que os problemas técnicos foram ultrapassados e que existem mecanismos para garantir a fiabilidade da classificação das provas.

Enquanto aguardam a divulgação das notas, marcada para 17 de julho, milhares de alunos e famílias continuam a acompanhar com preocupação a evolução de um processo que colocou em causa a confiança na maior operação anual de avaliação do sistema educativo português.

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